Horizontes da Escrita
"A qualquer momento um olhar vira texto". E.Cruz
Textos

 

O CAMINHO DE CADA UM!

 

Meu gosto pela escrita revela-se nos meus estilos preferenciais: sarcasmo e ironia. A ironia, que é uma figura de linguagem em que se diz uma coisa, mas se pretende transmitir outra, geralmente o contrário do que foi dito. Ela convida o leitor a refletir e perceber um significado oculto. Já o sarcasmo é uma forma mais agressiva e maquiavélica da ironia. Para mim é o refinamento do diamante, a lapidação para o grosseiro. É expressar indignação e intensificar críticas sociais e políticas, é onde, criar “personagens” ácidos e provocativos, que sou eu mesmo. Amo a ironia como o veneno ama suas vítimas. A ironia me dá poder e sarcasmo vem de brinde, um brinde bem caro.  Depois de desenvolvido esse gosto, nunca mais volto ao “normal”, ser normal é estar cego para você mesmo e enxergar tudo que te dão somente. Ser normal é ser honesto demais e a gente percebe pouco de mais; precisamos poder mais. O sarcasmo é a lama do pântano, a ironia éo desejo da queda satisfeito. Todo mundo que escreve, um dia ou mais tardar em breve, deve encontrar o caminho que só cabem seus pés para caminhar, o caminho é só seu. Passo, passei e passarei em vários momentos da vida, por uma ressaca literária: é quando a vida se torna muito cheia. É uma ressaca não de leitura, mas de escrita. De escrever e jogar para dentro. Me alimentar de mim para alimentar outros.

O tempo me foi tomado pelo trabalho, aquele obrigatório, o de pagar as contas; mas depois presto conta com a literatura. Não acredito que a literatura seja uma obrigação, ela não paga nada. Os afazeres da vida têm aqueles dias de aguentar gente chata, nojenta..., fingir sorrir fechando a cara. Esse tipo de coisa me faz para de trabalhar no ofício maior: escrever. O que há de maior em mim. Onde consigo, enfim, ser eu sem incomodar diretamente a ninguém. É onde a faca corta e esconde o sangue.

Acho que todo escritor deveria para um dia e voltar a ser romântico, alegre, melancólico, raivoso, escroto, burro, mau, sozinho, calado, irônico ou sarcástico. Neste mundo tudo é muito corrosivo, meio soda cáustica. Escrever é o ato mais prazeroso e libertador que existe. Eu posso ser tudo com as letras, e se eu as embaralhar, mais opções terei. É nas narrativas que podemos ser sem nos ver. Podemos nos ver sem nos tocar. Essa é uma ressaca que não acordamos mal. Acordamos “bêbado” pelo que deixamos de dizer, ficou entalado. A gente escolha o que vai ser desse instante pra gente. Eu fiquei sarcástico e irônico e muito, talvez, engraçado na acidez do doce da ironia. Aprendi a ser eu. Tive que aprender. Deixei que as vontades fossem acumulando até tornarem-se desejo incontido. O caminho de cada um: esse é o meu.   

Emerson MCruz
Enviado por Emerson MCruz em 17/06/2026
Alterado em 06/07/2026
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