Sou natural de São João de Meriti, região da baixada fluminense no Estado do Rio de Janeiro, aos 12 dias de fevereiro de 1979. Sou filho de um homem batalhador que dia e noite enfrentava a vida e todos os perigos pela sua família. Homem que não conheceu as letras nos bancos escolares, mas catou na vida e aprendeu algumas que deram o direito de rabiscar o seu nome: Francisco Mendes. Minha mãe criou os 4 filhos trabalhando fora e dentro de casa, enquanto o provedor varava madrugadas na lida. Ela estudou um pouco mais: concluiu o antigo 2º grau aos 54 anos, depois de ter deixado a escola para a lida da vida. Os dois ensinaram-me respeito, gratidão e, sobretudo meu pai, ensinou-me coragem, determinação e esperança. Deu certo: escrever é um ato de coragem. Sofri, passei por dificuldades, cresci e honrei tudo que aprendi com a família.
Ele, aos 74 anos apenas, em 2014, deixou de rabiscar o seu nome e foi repousar no descanso eterno. Daí em diante constituí minha familia, concretizei o sonho de ser chamado de pai. O Davi é a alegria e o apoio nos meus sonhos e projetos. A esposa, a guadiã e o amparo necessário.
Minha caminhada, sempre recheada de leitura e estudos, desenhava uma planilha e detalhava anotando todos os livros que lia; mantinha uma humilde biblioteca que era a companhia de sempre. Apesar de uma família sem escritores, sem hábitos ou incentivos diretamente à leitura, aprendi, por meio de bibliotecas públicas e da universidade, o mundo dos livros pelos corredores das estantes. Ganhava prêmios por assiduidade em bibliotecas, leitor que mais empréstimos fazia no mês... e por aí vai. Foi com essa iniciativa própria e vontade de ser diferenciado que tranformei minha realidade. A paixão pelos livros me levou a formação em Letras e literatura brasileira e consequentemente, não só pelo curso, mas pela própria magia da literatura e a vontade de externar algo; pois "tem coisas que só sai da gente por escrito". (citação própria). E essas coisas sempre sairam de mim, desde muito jovem; lia muito e escrevia poesias. E faço até hoje. Todo esse percurso levou-me de tal forma a escrever ainda mais. Em abril de 2024, candidatei-me a uma cadeira da Academia Luminense de Letras e em maio de 2025 tomei posse na cadeira 35. Foi um momento emocionante e único, pois senti que a literatura, a escrita, seja ela que forma fosse, é o caminho que percorreria até o último instante de minha existência.