Tentei ser outra coisa, mas não mais a encontrei; não encontrei, ainda bem, porque me encontro no céu de estrelas de palavras belas, de casas de sonhos, de noites eternas.
Tentei fazer outra coisa, mas quando tentava, me entregavam palavras ao vento e eu buscava, pegava e amava, rasgava; era ele: rasgava-me o pensamento, era minha sina, meu destino.
Tentei amar outra coisa, mas as palavras tortas e mortas insistem em ficar, jamais consegui largar; o tempo me trouxe pra cá, a sina, o vento, a obrigação do tempo.
Tentei viver outra coisa, porém, tudo converge para dentro do mar das palavras dadas pelo mistério.
Tentei ter outra coisa, mas me tenho mais não tendo nada e tentando ter só o que me cabe.
Tentei pensar outra coisa, então, sempre me prendiam aquelas palavras e frases que o destino sopra: o vento da saudade.
Tentei escrever o inscrevível, e consegui. Consegui tentar sair; tentei sair sem perguntar, mas voltei ao meu lar; ela é a forma de eu ficar, a única forma de tentar.
Tentei não ser poema, poesia, prosa, verso, verso e prosa; mas as tentativas foram essas: tentei ser tudo; fazer, sentir, pensar. Mas é a poesia que não me faz parar!
Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998, reservados ao autor Emerson de S. M. Cruz, Membro da Academia Luminense de Letras – ALPL, Professor, Escritor, Palestrante, Ator, Diretor teatral e Poeta maranhense.