Horizontes da Escrita
"A qualquer momento um olhar vira texto". E.Cruz
Textos

O SILÊNCIO QUE NINGUÉM VÊ

 

O silêncio que eu tenho dentro de mim é por você e só você sabe. Esse silêncio que em mim chora, em mim me diz agora: não vá embora.

Eu fico triste só quando vou embora, vou embora de mim mesmo, vou embora de tudo.

 

Ninguém vê, ninguém me olha, ninguém percebe, assim com clareza o que estou fazendo dentro de mim; fico triste sim; mas fico quando eu quero, porque tenho os momentos só comigo mesmo... já não sei ficar comigo.

 

Meu Deus! tenho um silêncio tão específico, tão meu, tão nosso. Ninguém vê, não falo, não deixo transparecer; e mesmo se deixasse, não seria transparente. Nada em mim é transparente. Tem muita coisa obscura, mas é um obscuro gostoso de se ver, por que não deixo transparecer!

 

O meu silêncio não pode ser visto, a não ser por mim, que deixo transparecer o que jamais deixo crescer. Sozinho. Eu sou sozinho, não há nada que o silêncio me faça ver, o que amargamente eu deixo transparecer.

 

Sou estranho. Tenho muitas curiosidades sobre mim. Sou claro quando quero ser. Quando o silêncio vem me ver, saio correndo e me deixo transparecer.

 

Existo no silêncio que não existe e que ninguém vê! não se sabe se estou vendo ou se só deixo transparecer. Vejo que nem tudo tem que ser como é... e nada como dever ser. Depois do choro vem o grito, pois após o choro seca as águas que embasam o espelho da alma.

 

Aqui no meu cantinho eu me amasso, me afundo na seiva dos olhos meus. É um silêncio enorme que ecoa no espaço, mas ninguém vê.   

 

 

Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998, reservados ao autor Emerson de S. M. Cruz, Membro da Academia Luminense de Letras – ALPL, Professor, Escritor, Palestrante, Ator, Diretor teatral e Poeta maranhense.

Emerson MCruz
Enviado por Emerson MCruz em 03/05/2026
Alterado em 06/07/2026
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