Os púlpitos estão se tornando como bolos de aniversário de 15 anos dos anos 90: cada vez menores, mais estreitos e mais baixos, quase imperceptíveis. Muitos já chegam “fatiados”, embalados e direcionados individualmente para cada convidado. Em compensação, não faltam enfeites: o famoso topper de bolo. Às vezes até bonito e sofisticado, porém sem conteúdo, produzido apenas com o mínimo necessário para manter a aparência.
Há templos que mais se parecem com quadras de escola de samba: mais instrumentos do que instruídos. Menos cadeiras, mais espaço para rodopios e performances. Em muitos casos, confundem palco com púlpito. Talvez tenham faltado às aulas de sinônimos e antônimos, porque também confundem o “Ide” com festas, eventos e agendas constantemente movimentadas. Além disso, percebe-se uma obsessão crescente por pertencer a algum grupo, possuir um vínculo institucional e, sobretudo, ser socialmente aceito por uma coletividade de semelhantes. Antes que alguém conclua, precipitadamente, que este pensamento é extremista, é importante esclarecer: não há problema algum em frequentar templos, participar de eventos ou estar em ambientes religiosos por vontade própria ou a convite de alguém. Afinal, todos nós usufruímos da liberdade de ir e vir.
O problema começa quando se estabelece a ideia de que quem não congrega ou não pertence a uma denominação está automaticamente “afastado”, “desviado” ou, pior ainda, fora do corpo de Cristo. Durante muito tempo, fomos ensinados a acreditar que estar dentro de uma instituição religiosa significava estar em Cristo, enquanto sair dela equivaleria a abandonar a fé, como se Deus estivesse limitado a um endereço ou a uma estrutura organizacional.
Entretanto, a Bíblia nunca definiu igreja como prédio ou denominação. Em Mateus 16:18, Jesus declarou: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Contudo, Ele não se referia a instituições, placas ou sistemas denominacionais, mas às pessoas. A própria palavra “igreja” deriva do termo grego ekklesia, que significa “assembleia” ou “chamados para fora”. Portanto, estar em Cristo não é uma questão de frequentar lugares, mas de permanecer ligado a Ele. É perfeitamente possível estar dentro de uma instituição religiosa e, ainda assim, viver desconectado de Cristo sem que ninguém perceba. Da mesma forma, alguém pode não fazer parte de nenhuma denominação e, mesmo assim, demonstrar uma vida genuinamente ligada a Ele. Em João 15:5, Jesus afirma: “Quem permanece em mim...”. Ele não disse “quem frequenta”, mas “quem permanece”. Relacionamento não depende de localização; depende de conexão. É evidente que a comunhão possui valor e importância. Contudo, ela não deve ser transformada em prisão, obrigação ou mecanismo de controle. O problema não está em congregar, mas em determinar quem está ou não em Deus com base apenas em vínculos institucionais. O erro está em tratar essa experiência como uma imposição espiritual universal.
Nem todas as pessoas se sentem bem dentro de uma instituição religiosa, e isso não as torna automaticamente distantes de Cristo. Afinal, ninguém está em Cristo apenas porque ocupa um espaço físico, mas porque permanece ligado a Ele. A fé não é definida pela instituição; é a conexão com Cristo que a sustenta. Você é a matéria-prima de Deus. A instituição não define a sua fé; a conexão, sim.
Paço do Lumiar-MA, 2 de maio de 2026.
Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998, reservados ao autor Emerson de S. M. Cruz, Membro da Academia Luminense de Letras – ALPL, Professor, Escritor, Palestrante, Ator, Diretor teatral e Poeta maranhense.