Horizontes da Escrita
"A qualquer momento um olhar vira texto". E.Cruz
Textos

A CHEGADA, ERNESTO E OS ANJOS

 

Ernesto, vida pacata, sem emoções mais relevantes. Era 13 de maio, sol forte, respirava ofegante, comendo a poeira de seu tempo, não sabendo ele que ali viveria sua história de vida mais forte, mais dura e mais sublime de até então. Chegara às 11h da manhã, respirou fundo suspendendo e descendo os ombros, como num alívio e ao mesmo tempo um quase pensamento de antecipação de seus sentimentos… Ernesto era perspicaz, sentia pousar em sua alma o presságio do acontecimento. Olhou para os lados: uma aura leve e cansada. Um leve sorriso no rosto com canto da boca suave puxando para o lado esquerdo. Fixou olhar no portão. Bateu novamente. Ernesto esperava viver algo novo. Era com essa esperança toda que chegava à casa da mãe. Veio aquele abraço caloroso de recepção definitiva. Aquele que veio para ficar, que estava destinado a viver ali. Sua família o esperava já há alguns anos. Enfim veio e veio cheio de esperanças boas de uma vida feliz e sensata. Ernesto, 34 anos. Jovem de altura mediana. Sempre se apaixonara fácil. Sempre se dizia a ele: “não seja assim tão levado pelo sensível.” Mas ele era extremamente ligado ao sensível, ou melhor: o sensível era extremamente ligado a ele. O toque espiritual, o toque na alma era a parte sensível dele. Ele sentia tudo, ele era o toque de sentimento altivo, quase um místico de si mesmo. Os anjos o diziam coisas, sempre em seu ouvido esquerdo, numa linguagem indecifrável naquele momento, apenas com sons finos como uma microfonia. Contínuo como o finalzinho de um badalo de sino, que toca bem intenso parecendo que o som quer dizer algo mais. Mas aí já acabou seu tempo de soar. Assim os anjos falavam com Ernesto. Através de sinais captados auditivamente. Eu, que narro a história, via tudo e via os anjos. Às vezes, Ernesto não. Sou um porta voz da voz interior dele. Era noite. Ernesto descansado e altivo, leve e pensativo, puxava o ar para si do ambiente frio da noite; aquele suspiro de alívio da alma. Olhar voltado para dentro. Seu pensamento escolhe por si próprio o que quer pensar.                                              

 

 

Paço do Lumiar-MA 5 de abril de 2026.

Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998, reservados ao autor Emerson de S. M. Cruz, Membro da Academia Luminense de Letras – ALPL, professor, escritor, palestrante, ator e diretor de teatro e poeta maranhense.

Emerson MCruz
Enviado por Emerson MCruz em 05/04/2026
Alterado em 06/07/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Site do Escritor criado por Recanto das Letras