É possível, no mundo atual, existir o bom político? Respondo-lhes: Isso só seria possível se três condições estivessem garantidas: muito dinheiro, saúde de sobra e zero escrúpulos. Dinheiro, não é problema. Com isso compra-se inimigos, adversários e consciências sem grande esforço. Basta pagar o suficiente e todos passariam a defender quaisquer ideias ou ideais; levantar-se-ia qualquer bandeira, qualquer discurso em seu favor sem o menor constrangimento. A lógica da política é simples e brutal: apoia-se quem oferece mais. O dinheiro quase tudo compra, inclusive aquilo que não tem valor algum. Compra a consciência de supostos idealistas que transformaram a política em profissão e negociam seus votos como mercadoria. São esses que se colocam como líderes de multidões inteiras, gente simples, sem formação política, que acaba acreditando em discursos vazios e, sem perceber, ajuda a colocá-los no poder. Há quem questione se vale a pena negociar com esse tipo de gente, comprar apoios tão frágeis e moralmente duvidosos. A resposta é carregada de cinismo: o país está tomado por esse perfil, e sem o respaldo deles ninguém chegava a lugar algum. É o preço do jogo.
Mas se essa corja detém tanto poder, não dever-se-ia usar isso para mudar as coisas? Quem que escolheram quando Jesus Cristo crucificado iria ser, entre ladrões? Esse nosso diálogo escancara uma visão amarga da política, tratada como um mercado onde valores são descartáveis e a ética é vista como obstáculo. É esse o embate: aceitar o jogo como ele é ou insistir, mesmo contra tudo, na possibilidade de transformá-lo.
Paço do Lumiar-MA 31 de janeiro de 2026.
Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998, reservados ao autor Emerson de S. M. Cruz, Membro da Academia Luminense de Letras – ALPL, professor, escritor, palestrante, ator e diretor de teatro e poeta maranhense.