É notável as transformações que ocorreram nas igrejas e na forma de tratar a “fé” e seus “fieis”. Me refiro principalmente a “religião” e aos templos religiosos. Os cultos, as manifestações de fé, tudo tem se transformado muito ao logo dos tempos. Os templos, no qual muitos chamam de “igreja”, mas digo que não é: igreja somos nós, abrigados sob um teto. Já há algum tempo não frequento mais templo. Já saí das amarras humanas de estar sob a direção de líderes, ter o nome no rol de membros, adentrar um prédio com uma placa me dizendo as doutrinas a seguir e uma religião que Jesus jamais implantou. Jesus não era “evangélico”, jesus não tinha uma “religião”. Ele é a essência; Ele é tudo que nem a essência é capaz de ser. Jesus não é religião.
Certa vez presenciei um pastor explicando o sentido e o significado da palavra religião. Dizia ele: “a palavra religião significa religare, ou seja, a forma do homem se ligar a Deus...” Ora, o texto sagrado diz, “Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao pai a não ser por mim...” João 14.6. Então porque precisaríamos de algo externo para nos ligar a Deus? Algo que nem o próprio Jesus criou? Ele já é o caminho perfeito e ninguém vai ao pai a não ser por ele mesmo, ficou claro agora? Não há nada a mais que se possa fazer. Precisar de um rito, um outro caminho para que nos ligue a Deus, isso é inverossímil. Deus não precisa nem te pede que tenhas uma “religião” para chegar a ele. Nem ele tinha uma. Nem criou uma. Ele é a essência. Portanto não me atrai mais o glamour dos holofotes, o preparo emocional dos louvores, os ritos repetitivos, as palavras mal colocadas e mais ainda mal interpretadas e mais ainda fora de contexto jogada ao vento.
Agora vamos por parte: primeiro falarei em geral dos templos em geral cada um com seu CNPJ agarrado a doutrinas específicas, a um Deus único. Depois especificarei alguns outros de acordo com suas placas.
Todos os templos se defendem com suas placas, seus nomes que definem quem eles são. Há aquelas com doutrinas bem acentuadas e definidas, são as mais ovacionadas. As assembleias tem “fama” de rigidez, tradicionalismo e a mais fiel ao evangelho. O assembleiano é conhecido de longe, assim como os batistas, os presbiterianos, os do subgrupo: pentecostais, neopentecostais, renovados, missão, tradicionais; e descendo mais um pouco, temos os que, ao serem avistados, imediatamente reconhecidos: os da parede preta. (risos). Não podemos esquecer também “o corinho de fogo” juntamente com os do reteté . Ufa! Quanta canseira de coisas pra seguir. Mas ainda não acabou não. Temos as figuras icônicas que lideram esses templos. Bispos, reverendos, pastores... E vai diminuindo: diáconos, levitas, adoradores (de si), profetas (a maioria esmagadora mentirosos), pregadores, auxiliares... E o irmãozinho lá que ninguém liga, que está sempre na portaria ou com a vassoura na mão, sem dinheiro pro transporte, com os sapatos furados, que recebe doações e depois entrega aquilo que não tem, para depois “receber de Deus”. A religião está acabando com o mundo. E isso não tem nada a ver com Jesus. Jesus não é religião, repito.
Estamos vivendo na era da essência sem os excessos, somente isso mesmo. Sabe aquelas coisas disfarçadas, mesmo que inconscientes, que tirando os excessos...fica tudo bem! Pois é. Essas modinhas estão pegando muito bem nos mais diversos templos, sobretudo nos que vivem numa “modernidade” exacerbada. E isso tem nome: o tal do gospel. Tudo muito bem adaptado para que Jesus “aceite” de bom grado a manifestação onírica dos subconscientes que não conseguem disfarçar. São muitas as formas que encontram de se aproximar do “mundo”, sem deixar rastros de impureza religiosa e inventam de tudo. Festas “temáticas”, ritmos gospel com uma pegada “evangélica”: reggae gospel, samba gospel, pagode gospel, cores, luzes estroboscópicas.
O púlpito na sua pureza existiu um dia. Agora, galões adesivados ou não, com tinta a óleo pretos, minimalistamente tomam conta. Tudo está se perdendo. As épocas festivas são as mais disputadas. são joão: arraial do povo de deus(aqui no caso com d minúsculo mesmo). Carnaval: “retiros” que são chamados só ‘retiro’ mesmo. Nem espiritual é. Mas antes era retiro espiritual. Agora, todos se retiram para a diversão. Para as selfies. Todos vivem, na verdade, a essência, só tiram o excesso. A essência do são joão, a essência do carnaval, menos os excessos são iguais ao “mundo” disfarçado.