Horizontes da Escrita
"A qualquer momento um olhar vira texto". E.Cruz
Textos

HIPOCRISIA

Na noite de uma quarta-feira, 9 de julho, na rodovia MA-203, na capital São Luís, um jovem de apenas 21 anos, teve seu corpo literalmente separado ao meio, tamanha a violência do impacto. Uma prática chamada “rolezinho”, que na verdade é o nome endossado que dão a irresponsabilidade chamada RACHA. A polícia do Estado do MA coíbe de todas as formas, fiscaliza, orienta, faz campanhas, tenta conscientizar. O resultado poderia ser melhor se obedecessem a quem quer nos proteger. Infelizmente aconteceu o pior. Uma mãe que chorará para sempre, uma família destruída pela dor; uma tristeza arrasadora e profunda que sangrará eternamente. Essa é a narrativa dessa triste história, resumida. O que não será resumida é minha indignação aos promotores dessa carnificina. No cortejo do rapaz vitimado rumo ao cemitério, comoção generalizada. Muitos carros, motos, gente a pé, amigos, ops! amigos? Eu não estava lá, mas todos viram em reportagens nos telejornais, inclusive em rede nacional; também em telejornais de outros Estados foi noticiado tamanha tragédia. Mas o que vi, igual ao que todos viram, foi a mais horrenda IPOCRISIA do ser humano: parecia uma linda “motociata”, era emocionante ver tantas pessoas lavadas de emoção e choro. E talvez esses mesmos que incentivam, convidam e promovem estavam lá dando o último adeus, são os chamados “amigos”. Então, o que eles (os colegas de “rolezinho”) deveriam fazer era promover esse mesmo esse mesmo movimento de juntar todo mundo, não para chorar o enterro de um jovem, não para ir ao último encontro de um colega, mas sim para promover um movimento de conscientização. Por que que não fazem um movimento desse para conscientizar a NÃO promover esse tipo, que eles chamam de “evento”, de “rolezinho”, um racha na verdade. O que eles deveriam fazer era isso. Mas não! só sabem se juntar quando é para uma tragédia, que em geral comove até estranhos. Mas estavam lá, todas as motos estavam lá acelerando forte, não tão forte quanto aceleram para promover rachas, mas estavam lá! acelerando forte, chorando no ritmo da descarga de suas motos um colega jovem de 21 anos que se foi por um “rolê” assassino. E não venha me dizer “ele foi porque quis”. Ele não estava sozinho. Ninguém faz racha sozinho. Já deu pra entender ne? A HIPOCRISIA grita. Daqui a pouco tempo estarão lá novamente fazendo a mesma coisa, é só o tempo de passar o luto. Passou o luto façam um teste: volte lá nas madrugadas e estarão lá novamente promovendo o mesmo racha, o mesmo “rolezinho” (da morte), a mesma coisa. Esperando o quê?: o próximo jovem morrer ali também? para novamente se juntarem e fazerem uma linda homenagem para enterrar mais um. Será mesmo que eles querem que todos os seus amigos tenham o fim que esse jovem teve? São todos hipócritas. Chorar não adianta tem que agir, tem que parar e incentivar os colegas a não fazerem esse tipo de prática. É isso que tem que se fazer e não ir para as ruas só quando vai enterrar um e depois voltam para lá para fazer a mesma coisa, repito, fazer o mesmo racha, arriscando a sua vida e a vida de outras pessoas. Assim como esse jovem morreu sozinho ceifando a própria vida, poderia ser a dele e de outras pessoas inocentes. Talvez uma palavra amiga, talvez se alguém com consciência do certo e do errado, tivesse conversado com a vítima, quem sabe isso não teria acontecido. Mas ao contrário: plateias se formam diante do “espetáculo” que muitas vezes se fecham para sempre, mas que são reabertos por bestializados da mente e conseguem bestializar outros.

Emerson MCruz
Enviado por Emerson MCruz em 23/07/2025
Alterado em 18/02/2026
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Site do Escritor criado por Recanto das Letras